Lendo o enunciado, percebo que pelo menos uma coisa na prova eu sabia: como seria sua estrutura, 5 temas dos quais deveria escolher 2 para fazer uma dissertação. Mais cedo, lá enquanto almoçava com a minha mãe, eu conto, pela última vez (do dia) a minha dificuldade para escrever dissertações. Ela, como uma boa pedagoga que acredito ser, me aconselhou o seguinte "minha filha, viaje!" "Viaje?" "Sim." "Mas viajar... na maionese mesmo?" "Hadassa, o assunto é sério." "ok, mãe, desculpa... continue" "Viaje, se transporte para a época, feche os olhos e tente imaginar como as coisas eram..."
Lá estava eu. Olhando para a prova. Aristóteles, Platão e Pitágoras. "Certo... vamos começar pelo começo. O primeiro parágrafo. Viajando, viaje, Hadassa, solte as suas asas. Estou quase chegando na Grécia, será que eu ficaria bem com o vestido que o Antonio, um aluno meu que me desenhou como deusa grega, inventou? ok... ok... Grécia Antiga. Chegamos. Olha lá, estão os três conversando! Mas calma, eles viveram realmente na mesma época? aaah, na minha imaginação eles eram todos super brothers mesmo. Vamos chegar perto para ouvir sobre o que estão conversando... NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO ACREDITOOOOO, e olhe isso, eles estão falando sobre música e como eles influenciaram tudo. Pô, mas eles são tão feios, não se arrumam muito bem, essa barba não fica tão atraente... me pergunto: se eles fossem bonitinhos eles conseguiriam filosofar tanto ou estariam pegando mulher no momento? Então a feiura foi uma benção para a inteligência deles? Logo se eu estou sozinha, também sou inteligente... Hadassa, por favor, você não consegue se concentrar para escrever nem a primeira linha da dissertação. Vamos parar de pensar e tentar escrever sobre a conversa deles." Quando menos espero estava lá, a introdução do meu texto. Lindo, de apenas três ou quatro linhas, mas tão lindo que me emocionei de vê-lo estampado naquela folha. "Olha só, eu estou conseguindo" Foi falar isso, levantar um pouco a cabeça para me preparar para o restante que eu percebo que as janelas estão fechadas. "ESSA NÃO" (pra quem não sabe, eu sofro um pouco de claustrofobia) "Não sinto vento, não sinto ar, vou morrer.... não, não... não vou morrer aqui e agora não" Enquanto isso, lá ia os meus três amigos desaparecendo. "Voltem, vocês tinham todas as outras respostas para as outras perguntas." Mas foi em vão, eles já haviam ido. "Tudo bem, sou eu agora" olho para a prova, olho para a janela, olho para a prova, olho pra janela, olho para o professor "não, ele está ocupado, não vou interromper só para pedir para ele abrir as janelas" olho para a prova, respiro, e preparo a caneta, pronto, a mão não escreve mais nada, só fica tremendo. Olho para a janela, "Concentra, você é maior que isso", olho para a prova, janela "ain, eu vou morrer", prova, janela, CHEGA! "Professor, seria muito incômodo para você e para a turma se a gente pudesse abrir a janela?" Graças a Deus, ninguém reclama, apenas abrem a janela. "Obrigada!" Agora era eu e aquele pedaço de folha novamente, somente nós. E eu não tinha mais desculpas para não terminar aquele bendito texto. blá blá blá blé blé blé bli bli bli blo blo blo blu blu blu. Fim. Acho que uma criança de 7 anos (3 anos se for asiática) consegue fazer uma dissertação melhor que isso. Mas é o meu melhor. "Como o meu melhor é horrível, mas tudo bem, teve introdução, desenvolvimento e conclusão. Vamos para a segunda dissertação" Peguei o meu celular para mandar uma mensagem para o meu irmão avisando que a bateria estava acabando. Mas nem deu tempo. Além dos três amigos que eu conheci, a bateria também me deixou. "Isso vai dar um problema mais tarde". A segunda dissertação só não foi pior que a primeira porque nem chegou a ser uma dissertação, mas apenas uma resposta, de um parágrafo, tão direta quanto uma mulher na TPM que não tem medo do que os outros pensam sobre o que ela faz, diz ou é.
Terminei a prova, olhei para o lado e estavam todos concentrados. "Quer saber? I'm outta here". Levantei, saí da sala e esperei pacientemente a segunda parte da prova começar. Aos poucos, vários rostinhos tristes se juntaram no corredor comigo. E todos ríamos da mesma desgraça.
Esse não é o fim, teve a segunda parte da prova ainda. Tivemos uma confusão "Isso é um instrumento estranho ou a qualidade da caixa que é ruim?" todo mundo riu, inclusive o professor, mas logo veio pelo menos uma resposta "Não Hadassa, isso é um instrumento dobrando a voz" "Instrumento dobrando a voz" Escrevi aquilo na folha de respostas, como se tivesse estudado loucamente sobre aquele instrumento, aquela voz, aquela música.... tão convincente da minha tão linda resposta correta". Estava ela lá, provavelmente a única dentre tantas bobeiras escritas. Mas destacada... saí com a certeza: "zero, eu não tiro".
quinta-feira, 5 de julho de 2012
prova
"ok ok, eu estudei. Não entendi nada da matéria... não não, não vamos pensar assim. hmmm, como eu posso pensar???" Olho para o relógio e vejo que já estou na hora de entrar na sala de aula. "certo, Hadassa, vamos nessa, você estudou bem... olha só, estamos progredindo, já estamos pensando positivamente. Estudei bem sim, mas mesmo assim não estou entendendo nada da matéria. NÃO! Vamos pensar que irei bem na prova... irei bem na prova... irei bem na prova... esse corredor que me leva em direção à sala nunca foi tão grande. Putz, grande era a matéria que eu tinha que estudar, tão grande que eu não estudei toda. CALMA, vai dar certo..." Entro na sala e vejo alguns rostos desesperados, outros que já não ligam mais e um rosto amigo. Claro que eu vou sentar do lado da minha amiga, ela sabe a matéria bem. Mas é claro também que eu não vou colar, mas mesmo assim sentarei com ela para sentir energias boas de uma bela amizade. "Cadê o professor? Cadê o meu material? -tinha esquecido numa outra sala- ESQUECI TODO O CONTEÚDO, E AGORA COMO VOU FAZER ESSA PROVA?" Lá vai a turma pro corredor procurar o professor, que está mudando de sala, no dia da prova, porque na nossa sala de sempre não tem carteiras, só aquelas cadeiras sem nada, que te dá dor se você for copiar tudo o que o professor estiver falando. Além das dores no corpo por causa da posição que a gente se vira para tentar escrever sem nenhum apoio, também há aquela dor no coração por não estar entendendo nada, e aquela na cabeça por ser 10 horas da noite, horário que deveria estar dormindo, e não lendo um power point e tentando juntar todas as informações na História. Desculpa se você é daqueles que não estão dormindo às 22 horas, mas sério, eu normalmente já estou morta de sono. Pronto, decidimos a sala de aula. Entrei com passos calmos e decididos, como a gente deve entrar num palco, mas senti como se tivesse entrando para o meu julgamento final. Sentei, abri a bolsa, tirei o estojo, peguei uma caneta "hmmm, vou pegar um lápis para fazer um rascunho" Soltei aquele sorrisinho logo depois quando me toquei que teria pouco tempo para escrever e que não daria tempo de fazer nenhum tipo de prévia. "São 20:55, às 21:55 eu começo com a segunda parte da prova" "SEGUNDA PARTE DA PROVA??? A PROVA VAI SER DIVIDIDA EM DUAS PARTES??? Calma, Hadassa, você sabe a matéria.... calma calma calma, CHEGA, pô, não sei... não vou falar que não sei de nada porque eu sei que o Dionísio era o deus do vinho... que vontade de tomar um vinho. Devia ter tomado um antes dessa prova... Qual vinho seria melhor para tomar agora? Aqui está bem frio... Nossa, queria tomar um Malamado agora. CONCEEEEEENTRA, muié" Minha prova chegou, ou como eu gosto de chamá-la, minha sentença de morte . O professor pede para alguém passar para o cara do canto que ainda não tinha a prova... eu sem pensar duas vezes "toma toma... toma a minha. Pode ficar com ela" achando que assim estaria livre, mas segundos depois aparece, como uma magia negra, outra igualzinha na minha mesa. Olho para cima e vejo o professor com aquele sorrisinho "Boa prova". É claro que ele quis dizer "Boa sorte", aliás ele conhece o meu caso perdido. A prova já começa com uma pergunta difícil "Data:__/__/__" "QUE DIA É HOJE? ok, vamos calcular o dia, hoje é quarta-feira... tudo começou em 450 a.C. a gente estudou sobre a Grécia Antiga, certo. Depois veio Roma, em 197 a.C. quando a Grécia passou ao protetorado de Roma ai houve aquelas misturas de costumes. Mais pra frente, mais pra frente Hadassa! Certo, Idade Média, Era Cristã... caramba, Era Cristã, será que os cristãos naquela época eram melhores cristãos do que hoje? Outra coisa que eu sempre confundo... é cristãos ou cristões? Cristãos... Cristões... Cristãos... Cristões... É, acho que é cristãos mesmo. DATA... ok, Idade Média termina quando? A gente aprendeu alguma coisa depois da Idade Média nessa matéria ou paramos nela? Não lembro de ter estudado nada depois da Idade Media... Ars Nova é Idade Média ainda, né? Não sei... VAI CAIR ARS NOVA? QUEM FOI ARS NOVA? Ars Nova foi alguém ou período? Ou movimento? ain caral... OPA, sem xingar!!! mas o pior de tudo: que dia é hoje?" Respiro fundo e antes de fazer qualquer pergunta para alguém e atrapalhar as pessoas que já estavam realmente respondendo questões da prova, eu lembro que tenho um celular e ele me dará a resposta! Pelo menos da data de hoje: "04 de Julho, olha que legal, hoje é Independência dos EUA. Que coisa horrível, eu nem lembro quando é a Independência do Brasil... hahaha é porque não somos independentes. risos. Sério, ou é dia 07 de Setembro ou dia 15 de Novembro. Eu sei que essas datas a gente comemora alguma coisa no Brasil, só que no estado que estou agora eu não sei de nada. NADA!" Seguindo em frente.. até que eu ouço alguém fazendo uma pergunta ainda mais idiota do que todas as minhas durante todo o semestre... Semestre não, durante a vida. "É pra fazer de lápis ou de caneta, professor?" "Sério mesmo?" -eu pensei. Olhei para o lado, e puxei assunto com um colega de classe com o qual eu nunca havia falado. "Quem é que ainda faz esse tipo de pergunta na faculdade, né?" Ele não responde nada, somente mostra, sem graça, que estava usando um lápis... Depois desse mico, resolvi me fechar no meu canto e tentar, finalmente, começar a fazer a prova.
(Continua...)
(Continua...)
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