sábado, 19 de dezembro de 2009

como "ouvir" a leitura de Dois Reinos:

Imagine como se o mundo fosse uma orquestra prevista e ensaiada antes de se erguer num novo dia (ou nova noite), em que todos os sons significassem de alguma forma uma linguagem musical. Não há instrumentos conhecidos, como violino, ou piano ou flauta, as únicas associações que se faz no texto com termos musicais são agudos, graves, pianíssimo, forte etc. Também não se deve associar o texto com objetos físicos que se é visto por nós, apenas ler e imaginar os sons (sem nenhum emissor físico) que a leitura causa.
O trabalho foi inspirado em vários momentos e lugares (da cidade) diferentes, e durante as escutas feitas tive várias idéias opostas de como contar uma história. E não o escrevi baseado no diário, e sim para cada ato marquei o horário que o significasse para sentir e escrever na hora. O objetivo é imaginar mesmo como se a cidade fizesse ensaios antes de tocá-la para quem quiser ouvir. Ela irá tocar da forma que se preparou, depende de cada um ouvir o que quiser da sinfonia que está soando. Acredito que se eu tivesse feito o texto outro dia, ele já seria diferente.

Terceiro Ato

O tom do céu finalmente pára de estar constante e volta ao tom maior, os ventos vão se acalmando, e os sopros dos céus voltando. As harmonias se invertem e novamente os cantos melódicos se atraem por elas e dançam criando novas experiências sonoras. Do tom maior claro, o céu vai se transformando num tom de acompanhamento para dar espaço aos pingos mais tarde. Os harmônicos seguem lentamente em decrescendo e as melodias vão parando aos poucos suas canções. Os ventos vão ficando cada vez mais suaves e tranqüilos. As cortinas se fecham sem pressa acompanhada pela música do vento, até que ele então descansa.

Segundo Ato

O outro reino é erguido, não de forma direta e autoritária, mas aos cantos de pequenas melodias improvisadas, cada uma dialogando com a outra sem briga, vão se levantando à medida que suaves raios harmônicos tomam o céu. Sem nenhuma tensão as melodias e as harmonias entram em dependência e seguem caminho devagar como leves e longos ventos. Mais melodias se encaixam na aurora, e os harmônicos limpam cada vez mais o céu, deixando-o em um constante pianíssimo tom maior. As borrachas no asfalto começam a levantar novamente os ventos, mas isoladamente. Uns ventos surgem ao Norte, e outros ao Sul, breves, com inícios e fins incertos. O frio começa a se espantar para longe e acompanha o sopro dos céus. As melodias brincam entre si, passeiam entre os raios, e iludem com seus volumes e alturas, voam em sintonia com as que mais criam intimidades, e criam desenhos sob o céu tom maior, mas sei deixá-lo sujo, de maneira alguma. Aos poucos os harmônicos começam a se tornar um só e o céu mais claro, e mais tarde tornará constante.
Os ventos das borrachas começam a aumentar, e em pouco tempo já dominam a cidade. Cada um toma o seu rumo e sua velocidade, obedecendo a postes de freqüências que indicam a probabilidade do perigo. Vários seguidores do segundo Rei se levantam para seguir suas regras e ao ponto mais quente do seu reinado a cidade já está toda submetida a ele. Ao que parece, tal Rei não tem muitas regras claras, aceita freqüências altas ou baixas, quanto ao volume ou intensidade prefere aqueles que mais preenchem maiores espaços, mas há os que o servem com pouco. Ventos de asfalto ou ventos como tiros em nuvens, canções ou discussões, os gritos aos cantos, melodias interrompidas e sem muito sentido. As misturas de tantos sons confundem a música, o Rei incentiva trabalho árduo, e difícil, pouco tempo dá para descanso. Os ventos ao asfalto ficam mais fortes e contínuos, por onde quer que se vá os ouvirá, seus seguidores conversam sempre entre si, músicas gravadas são reproduzidas em caixas, e não há um lugar em que se possa ouvir o próprio fôlego. As leis são tão confusas e tão liberais que seus seguidores abusam do seu reinado e com tantas informações sonoras, gradualmente se cansam de ouvir. O Rei percebe sua deixa, e do mesmo jeito que tomou seu lugar cede o mesmo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Primeiro Ato

Como um suave vento provindo da borracha arrastada no asfalto tem-se o início de tudo. As cortinas se abrem sem pressa acompanhada pela música do vento, até que ele então descansa. E tudo está exatamente escurecido pelo sono dos ventos. Pequenos pingos de luz invadem o palco e para cada nascimento um toque agudo que aos poucos se aglomeram até que no meio de tantos, o Silêncio finalmente toma o seu reino, e se impõe de tal maneira que tudo exatamente se quieta, todos se submetem ao seu poder e se calam. Não se ouve nada, nem mesmo os pedidos de desculpas entre os pingos por terem tentado brilhar mais, restringindo então o som de suas luzes, nem mesmo as ordens do Silêncio que são ditas sem voz. E aos poucos cada pingo torna a descansar novamente, obedecendo à ordem clara de seu rei, um a um, até o último motivo de luz, trazendo novamente a escuridão. E ainda mais suaves e breves ventos vêm ressurgindo acompanhados com a respiração de cada ser, duas ou três brisas. E o Silêncio começa a ceder poucos intervalos às borrachas no asfalto, e se alternam entre si. E termina o primeiro ato com o último suspiro do Silêncio.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

primeiro semestre de uma vida;

tudo bem, estou sentada a 15 minutos aqui e já refiz esse texto umas trilhares de vezes. o que eu quero dizer é que não consigo dizer o que foi toda essa experiência. queria mesmo era fazer um texto grandioso, cheio de palavras inteligentes e essas coisas bonitas, mas enfim. não saí de um grande clichê inicial. pois então, direi, para me defender, que o simples é o novo chique. 
posso dizer uma coisa em especial, porém acontece com todos quando entram numa universidade: conhecem umas milhares de gente, umas que nem se lembrará o nome no outro semestre, outros que nunca mais verá, e outras que levará para a vida toda. e sim, isso eu posso dizer que realmente aconteceu. mas o que vale de verdade não é apenas as pessoas e sim todos os momentos lindos ou não, divertidos, cheios de estresses, sonolentos, cantados ou tocados.
mas tenho que falar, fiz coisas que nem todos fazem quando entram numa universidade: tomei muito cappuccino com creme com pianistas, cantores, violonista, violinistas, gente legal, gente chata, com assuntos inteligentes, com assuntos piadísticos, "dancei" dança do ventre ao som de música judaica, bati milhares de ritmos a duas mãos, ri muito nas aulas de coral, aliás ter aula com o  professor Edson, Matheus e Banks é difícil ficar mal, ri muito (mas muito mesmo) em todas as aulas com o grande professor Alciomar, que não me ensinou apenas teoria musical, mas várias lições sobre vida (até aprendi a praga do celular rosa), aprendi que 'tunziiiintkaioaesaeiuuuuiaeiiiiiiiiiiiiiiih' também é música (ou não), passei muito mal só de pensar que teria minhas aulas de piano, pensei em desistir milhões de vezes (e depois cai na real que desistir não era a resposta, e sim estudar... lógico, não?), chorei horrores ao saber que o que eu faço não tem sentindo e que não sei pensar antes de tocar e me senti uma estúpida, mas depois eu parei e fui estudar, dormi uma ou duas vezes nas aulas do australiano sobre música contemporânea, aprendi novas expressões do tipo: 'aaaAAAaaah', esqueci de muitos problemas com muitas conversas, cantei certo, cantei errado, cantei desafinado, brinquei de 'troca' junto com 'só perguntas', gargalhei horrores com ótimos amigos que foreva e neva vão ficar comigo, fui coruja em duas apresentações da Dany, mas saibam que eu fui em mais recitais, descobri que High School Musical é muito bom até, aprendi a andar de ônibus, descobri que o diego não ajuda a carregar a bolsa quando tá muito pesada, mas o felipe sim, virei vela de mais um belo casal super simpático, comi banana com club social de queijo, provei junto com a millena que é possível andar da unb à escola e ainda passar num shopping para tomar um sorvetinho, tive vários almoços terríveis, e presenciei uma amiga comer um inseto da salada, aprendi a tocar o concerto n. 1 para piano de tchaikovsky com uma violoncelista, e depois uma pianista/cantora nos mostrou que estávamos erradas, o jorge antunes passou do meu lado e eu fiquei sem reação, descobri que não consigo cantar um 'dó', e que réb não é a mesma coisa que um dó#, conheci uma prima que a tia dela vai ser minha mãe adotiva para me apresentar vários pianistas do mundo inteiro, toquei para francisca aquino e ela, com tantas críticas para fazer, pediu apenas uma coisa: calma, escutei mais beatles, e me viciei em the mamas and the papas, vi que até os pianistas tops erram, mas erram lindamente, recebi um bravo do melhor professor de piano que existe e aprendi que existe mais de um melhor professor do mundo, uma até que teve muita paciência para me ensinar a estudar, e que já ficou mais de uma hora em um compasso, dei uma bronca num tenor no meio da apresentação, fiz uma amiga feliz com um vídeo, abriu-se uma campanha 'faça uma amiga feliz' pq ela me fez feliz com outra coisa, mas depois a campanha voltou ao vídeo que foi o que mais fez sucesso, e talvez foi mais interessante, descobri que não tenho cara de pianista e deveria fazer canto erudito e ainda mais, entrar para uma academia de musicais (sonho), fiquei orgulhosa em vários momentos ao ver MEUS amigos cantando, tocando ou solando no palco...
pois bem, agora está sendo uma dificuldade fechar o texto, sem reclamar mais da minha falta de criatividade, termino com um detalhe: semestre que vem terá muito mais, e eu não vejo a hora...