sábado, 19 de dezembro de 2009

Segundo Ato

O outro reino é erguido, não de forma direta e autoritária, mas aos cantos de pequenas melodias improvisadas, cada uma dialogando com a outra sem briga, vão se levantando à medida que suaves raios harmônicos tomam o céu. Sem nenhuma tensão as melodias e as harmonias entram em dependência e seguem caminho devagar como leves e longos ventos. Mais melodias se encaixam na aurora, e os harmônicos limpam cada vez mais o céu, deixando-o em um constante pianíssimo tom maior. As borrachas no asfalto começam a levantar novamente os ventos, mas isoladamente. Uns ventos surgem ao Norte, e outros ao Sul, breves, com inícios e fins incertos. O frio começa a se espantar para longe e acompanha o sopro dos céus. As melodias brincam entre si, passeiam entre os raios, e iludem com seus volumes e alturas, voam em sintonia com as que mais criam intimidades, e criam desenhos sob o céu tom maior, mas sei deixá-lo sujo, de maneira alguma. Aos poucos os harmônicos começam a se tornar um só e o céu mais claro, e mais tarde tornará constante.
Os ventos das borrachas começam a aumentar, e em pouco tempo já dominam a cidade. Cada um toma o seu rumo e sua velocidade, obedecendo a postes de freqüências que indicam a probabilidade do perigo. Vários seguidores do segundo Rei se levantam para seguir suas regras e ao ponto mais quente do seu reinado a cidade já está toda submetida a ele. Ao que parece, tal Rei não tem muitas regras claras, aceita freqüências altas ou baixas, quanto ao volume ou intensidade prefere aqueles que mais preenchem maiores espaços, mas há os que o servem com pouco. Ventos de asfalto ou ventos como tiros em nuvens, canções ou discussões, os gritos aos cantos, melodias interrompidas e sem muito sentido. As misturas de tantos sons confundem a música, o Rei incentiva trabalho árduo, e difícil, pouco tempo dá para descanso. Os ventos ao asfalto ficam mais fortes e contínuos, por onde quer que se vá os ouvirá, seus seguidores conversam sempre entre si, músicas gravadas são reproduzidas em caixas, e não há um lugar em que se possa ouvir o próprio fôlego. As leis são tão confusas e tão liberais que seus seguidores abusam do seu reinado e com tantas informações sonoras, gradualmente se cansam de ouvir. O Rei percebe sua deixa, e do mesmo jeito que tomou seu lugar cede o mesmo.

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