segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Primeiro Ato
Como um suave vento provindo da borracha arrastada no asfalto tem-se o início de tudo. As cortinas se abrem sem pressa acompanhada pela música do vento, até que ele então descansa. E tudo está exatamente escurecido pelo sono dos ventos. Pequenos pingos de luz invadem o palco e para cada nascimento um toque agudo que aos poucos se aglomeram até que no meio de tantos, o Silêncio finalmente toma o seu reino, e se impõe de tal maneira que tudo exatamente se quieta, todos se submetem ao seu poder e se calam. Não se ouve nada, nem mesmo os pedidos de desculpas entre os pingos por terem tentado brilhar mais, restringindo então o som de suas luzes, nem mesmo as ordens do Silêncio que são ditas sem voz. E aos poucos cada pingo torna a descansar novamente, obedecendo à ordem clara de seu rei, um a um, até o último motivo de luz, trazendo novamente a escuridão. E ainda mais suaves e breves ventos vêm ressurgindo acompanhados com a respiração de cada ser, duas ou três brisas. E o Silêncio começa a ceder poucos intervalos às borrachas no asfalto, e se alternam entre si. E termina o primeiro ato com o último suspiro do Silêncio.
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